Eu te olho como te olhei quando começamos a nos olhar com aquela retina que por brilhar já entregava os detalhes do que havia por traz. E hoje, eu vejo nesse mesmo olhar tudo o que está por traz e o que ficou pra traz. Vejo o nada que mudou o nosso tudo. Vejo o tudo que se tornou mais ainda. Aqui, neste lugar, sem lugar passado, presente e futuro são contemporâneos e desabam para o interior do seu próprio excesso de existência. Então observo tudo o que nos foi presenteado, desde os males até os mais sinceros sorrisos. Guardo. Mas a mágoa persiste, resplandece na desordem. Os meus olhos que já não são veem agora tudo o que foi, tudo o que poderia ser, tudo o que é. Concentro-me no que é! em meio a toda alegria, em dias chuvosos reflito sobre todos as lágrimas escorridas e concluo que nunca houve chuva, só as nossas lágrimas, às lágrimas de que fujo, uma vez mais, para o colo espelhento da nossa amizade imanente, moribunda, imortal... Eu quero tanto agora dar-te o amor total e infantil que tenho pra te dar, aquele mais ingênuo, o mais delicado, doce, prazeroso e forte. Quero te amar, me dedicar a você em cada suspiro, palavras, momentos. E esse será o meu objetivo até nos concretizarmos no sempre.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
Há tanta pouca realidade numa vida...
Morri tantas vezes antes de morrer - morri sempre que o amor parava, e o amor estava sempre a parar dentro de mim. Parava e crescia, comia tudo o que eu sabia. Eu imaginava frases novas como barragens contra essas vagas que me levavam. Mas as barragens caíam, eu voltava morta à praia, renascia a tremer de frio, na noite marítima. Então contraía de novo a minha barragem, agarrava-me aos meus mortos passados, presentes e futuros, envelhecia e renascia, engelhada e sôfrega. Falava. Falava incansavelmente do que sabia e do que desconhecia, esperava que me mandasse calar para ouvir apenas o vento das palavras definidas dançando como um louco descabelado nesse opaco interior do meu corpo...... Onde está agora o amigo imaginário da minha infância solitária? Morava-me no fígado, nos pulmões, no estômago e no sangue. Sempre que me sentia mal pedia-lhe que consertasse os fusíveis, que me limpasse as entranhas esburacadas, e ele obedecia. O caos era temporário, porque esse amigo imaginário, conferindo realidade à minha vida. Há tanta pouco realidade numa vida - bocados desgarrados de história, pedras voando pelo ar, chocando-se na estratosfera, curto-circuitando os nossos propósito. Amava esse curto-circuito, provocava-o. Para que a perfeição pudesse atingir-se com um só jato de riso.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Doeu... está doendo.
Choro. Não choro em vão. Eu choro um choro merecido, aquele que é acolhido pelo meu próprio silêncio, aquele que não deveria está presente, aquele tão lamentado, tão guardado, tão quieto, tão ingênuo, tão baixinho, tão meu. Tentei. Tentei de verdade não derramar novamente essa doce lágrima. Forcei, fiz de tudo para evaporá-la para o esquecimento, mas elas vieram como rasteira e deram uma banda no meu coração. Ah, pobrezinho. Sempre caindo nessas armadilhas, sempre sendo mais intenso que o necessário. Aliás, sempre sendo intenso como necessário, mas nunca sendo enxergado como merece. Doeu... está doendo. Nada que eu faça ou pense vai secar esse choro cansado, choro que não derrama mais lágrimas, choro da aceitação. Choro...
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