Encontro-me em eminência perante ao amor. Vendo as lembranças passeando como se fossem dois velhinhos numa praça em dia de sol percebo que elas não são tão passado assim, elas são o hoje, porém de uma maneira mais madura e concreta. Temo não poder mais revivê-las e ter que ficar nesse presente vazio, esperando um futuro promissor fazendo com que meu passado seja um leque onde é possível selecionar qualquer lembrança, trazer pro meu "agora" e fazê-la o hoje. Que confusão! Que chato! Daqui a pouco essas palavras vão se juntar a todo esse passado lindo e eu retomarei a esse vazio vasto. Passam sorrisos, passam as lágrimas, passam as brincadeiras, passam pessoas, passam verdades, passam as horas, os instantes, os segundos e eu aqui, intacta os vendo passar. Engraçado que eu me vejo em cada um deles, mas não consigo me resgatar. É como se eu quisesse entrar num mesmo rio duas vezes. É como se tudo fosse passado inclusive o "passado" que acabei de citar. Todos os pontos e vírgulas introduzidas nesse texto são já lembranças que sinto falta. Não é saudade! Embora parecidas há um paradoxo entre falta e saudade que muitas vezes não se tem definição sólida para se distinguir. A falta é uma conformidade de insatisfação, dói, machuca, corrói, é sem esperança. A saudade é um estado, te remexe, te faz chorar, mas te faz bem. E eu busco tudo o que me faz bem, então quem sabe esse vazio seja saudade só. Saudade de mim nessas lembranças doidas.
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